quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A herança muçulmana na P. Ibérica

"Os Árabes reforçaram o tom mediterrânico que os Romanos haviam começado a imprimir à agricultura. Introduziram ou difundiram plantas: a alfarrobeira, o limoeiro, a laranjeira azeda e talvez o arroz; plantaram grandes pomares, sendo afamados os do Algarve e dos arredores de Évora (...); e, sobretudo, desenvolveram a técnica do regadio (...) com as suas noras e canais de rega (...).
Esta influência sobrevive ainda ainda em muitas palavras de língua comum, relativas à vida do campo; (...) [tais palavras] mostram como foi intensa e profunda a ação de um povo que [vindo da orla do deserto] aprendeu  a vencer a escassez de chuvas com a escolha de plantas apropriadas e um engenhoso aproveitamento de águas." (1)
A influência árabe foi sobretudo importante na religião e na língua. Na Península Ibérica houve um convívio harmonioso entre os que aderiram ao Islamismo e os que se mantiveram cristãos, os chamados moçárabes. No Al-Andaluz o árabe era a língua oficial e foi uma forma de dar unidade à sua presença cultural. 

Com os Árabes a Península Ibérica assistiu à introdução de diferentes atividades ligadas à agricultura, ao artesanato e à pesca. Com elas deu-se um excelente aproveitamento da água, com a construção de canais, diques, moinhos de água, azenhas e noras. No artesanato desenvolveram a tapeçaria (algodão e lã), os metais, a pedra e o couro. Desenvolveu-se o comércio e os mercados difundiram-se por diferentes cidades.

O Al-Andaluz desenvolveu sobretudo no Sul uma cultura urbana, com a existência de diferentes cidades. A cidade era protegida por muralhas e tinha um centro, que se chamava a Medina, onde se concentravam os edifícios religiosos, as mesquitas, mas também o mercado e os espaços públicos. O restante espaço da cidade era ocupado com casas para habitação, onde os artesãos dispunham os seus produtos e se dedicavam ao comércio. Junto à medina encontramos o espaço que mantinha uma defesa militar da cidade.

As grandes cidades árabes tinham belos palácios com interiores onde podemos encontrar o azulejo e jardins bem decorados. Era nas mesquitas que as crianças aprendiam a ler e a escrever, utilizando o Alcorão nas suas atividades de aprendizagem. As ciências estavam muito desenvolvidas na civilização Árabe e a sua influência na Matemática (introdução do zero), na Medicina, na Astronomia, na Cartografia, na Geografia,  foi muito importante. A civilização árabe procurou incentivar um ambiente cultural de estudo e de difusão do pensamento literário e religioso. Córdova, era a capital deste espaço na Península que os árabes chamaram Al-Andaluz.


(1) - Orlando Ribeiro, Portugal, O Mediterrâneo e o Atlântico

A civilização muçulmana na P. Ibérica

"Contam alguns historiadores que o primeiro que reuniu os fugitivos cristãos da Hispânia, depois dos árabes se terem apoderado dela, foi um infiel chamado Pelágio, natural das Astúrias (...), de onde então começaram os cristãos a defender contra os Muçulmanos as terras que ainda continuavam em seu poder (...)." (1)

A Arábia no século VII era uma região com um grande atividade comercial. Das principais cidades do Sudoeste da Arábia, uma das mais importantes foi Meca. Foi aqui que nasceu uma nova religião, fundada por Maomé, O Islamismo. Maomé proclamou um novo Deus, Alá e difundiu os valores da nova religião, num livro sagrado chamado o Alcorão.

Após a unificação das diferentes tribos na Arábia, o desejo de melhorar as condições de vida no deserto, e a vontade de espalhar a nova religião fez iniciar uma expansão islâmica que chegou a três continentes, Ásia, África e Europa. Os Muçulmanos chegaram à Península Ibérica no século VIII. A norte, as Astúrias resistiram e foram o ponto de resistência dos visigodos para a futura reconquista cristã. Os Muçulmanos deram à Península Ibérica o nome, sobretudo às zonas que mais influenciaram, o sul de Al-Andaluz.

Os muçulmanos manifestaram dificuldades em manter um domínio da Península a partir sobretudo do século XII. Permaneceram na Península Ibérica na parte mais ocidental até ao século XIII, e na parte central e este da Península Ibérica até ao século XV. Destas duas zonas nasceriam dois países, Portugal e Espanha. Tiveram tal como a civilização romana uma profunda influência no modo de vida dos povos peninsulares.


(1) - Relato de Nafh al-Tib, citado por Borges Coelho, Portugal na Espanha Árabe.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A romanização

A romanização foi um processo de integração de um conjunto de territórios de diversos continentes num único Império. Foi feita com a utilização de uma língua, (o latim), das divindades que os romanos tinham, em particular o ritual ao imperador, da utilização de um conjunto de leis, pela construção de um conjunto de equipamentos nas cidades, como teatros, templos, aquedutos, praças, termas e de uma imensa rede de estradas. Com este processo procurou-se dar unidade a um vasto território - a chamada paz romana.

A romanização operou transformações no modo de vida dos povos peninsulares na organização das suas leis, nas atividades económicas e nas manifestações culturais. Organizadas como colónias ou municípios a sua governação imitava Roma e era feita por funcionários que vinham de Roma. Com a romanização desenvolve-se a agricultura, que abandonou a sua componente muito pastoril e assiste-se ao aumento da produção de cereais e de azeite. A exploração mineira, a pesca, a indústria da telha e do tijolo também se desenvolvem.

A telha e o mosaico são duas das grandes inovações da construção romana. As coberturas de palha ou lousa são abandonadas. A construção de estradas e de pontes revelou uma civilização de grande qualidade técnica e também ajudou à circulação entre as diferentes zonas do Império. A atividade económica dos Romanos fez aumentar a circulação da moeda, tendo sido encontrados vários exemplares em diferentes cidades, sobretudo a Sul. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A civilização romana na P. Ibérica

A civilização romana desenvolveu-se entre os séculos VI a.C., e o século V, tendo sido uma das grandes civilizações da História, por um conjunto de manifestações culturais e humanas que produziu. Roma, a capital de um vasto império, que abarcou diferentes continentes (Europa, África e Ásia) organizou-se à volta do grande lago romano, o Mar Mediterrâneo, que justamente era designado pelos romanos por "mare nostrum".

A civilização romana herdou um conjunto de valores e ideias da civilização grega, mas deu-lhe uma abordagem mais prática, mais funcional. Preocupou-se muito com a expressão material dos seus valores. Não teria havido império romano sem três ideias muito simples:
1. Um exército muito bem organizado em legiões que suportava o poder do Imperador e mantinha a ordem num espaço imenso;
2. Um conjunto de estradas que levou a ideia romana a territórios muito distantes;
3. A instauração de um regime de escravatura que forneceu mão-de-obra gratuita para as diferentes actividades;

A partir do século III a. C., os Romanos conseguem realizar um conjunto de conquistas no Mediterrâneo, conseguindo no século II (149 a.C.) derrotar os Cartagineses que tinham neste mar atividades comerciais de grande significado. A conquista da Península Ibéria era assim muito importante para o domínio do comércio no Mediterrâneo. Até ao século I formaram um império vasto, onde os aspetos materiais desta civilização são muito evidentes. A sua língua e a sua cultura ultrapassariam o fim do Império, sendo nós hoje devedores da sua influência em diferentes domínios da vida: a língua, a organização administrativa, ou o direito.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Os povos do Mediterrâneo

Entre os século XII e V a.C., o mar Mediterrâneo assistiu ao grande movimento comercial que ligou os seus diferentes espaços. Estes povos chegaram até à Península Ibérica em momentos diferentes. Os Fenícios chegaram primeiro, junto ao século XII a.C., depois os Gregos no século VI a.C., e os Cartagineses no século V a.C.

Estes povos não procuravam conquistar algum espaço na Península Ibérica, mas tão só realizar atividades comerciais. Vinham procurar metais preciosos (estanho, ferro, ouro e prata) que levavam em troca de objetos de cerâmica, vidro, panos e utensílios. Fundaram feitorias comerciais que eram os locais onde realizavam essas trocas. Embora haja uma maior presença no território que hoje forma a Espanha, encontraram-se vestígios destas colónias em diferentes locais como Alcácer do Sal, Aveiro, Póvoa do Varzim e sobretudo no Algarve.

A influência destes povos foi muito importante e fez-e sobretudo junto dos que habitavam o sudeste da Península, justamente os Iberos. Transformaram os modo de vida destes, pois deram-lhes a conhecer formas diferentes de vida quotidiana, com especial relevância para os Gregos. Deixaram importantes influências. 

Os Fenícios introduziram o torno de oleiro, desenvolveram técnicas específicas do trabalho do ferro e divulgaram a escrita alfabética. Os Gregos  desenvolveram muito a produção de cereais  e as atividades de conservação pelo sal através das salinas, assim como a difusão da cunhagem da moeda.

Os Cartagineses desenvolveram muito o comércio dos metais, da salga de peixe, das pescas e dos produtos agrícolas. A conservação dos alimentos pelo sal foi também foi utilizada pela civilização nascida em Cartago. Os Cartagineses entre os século V e IV a.C., formaram uma civilização de grande significado no Mediterrâneo, que só terminou no século III a.C., com o nascimento de um grande Império, o Romano.

Animação - O Homem de Neanderthal




Gino, um herói antigo

Há muito muito tempo atrás, Gino era o primeiro da família a acordar. Os seus pais ainda dormiam ao fundo da gruta, tapados com uma pele muito quente, que receberam de herança de um caçador que morreu num combate. Parece que ele nem tinha frio. Bastava uma pequena pele que mal lhe tapava a barriga. Passada uma hora, lá vinha o Gino sorridente com os frutos mais frescos da região. Todos o invejavam pela sua valentia e prontidão.

O pai de Gino levantava-se, jáo Sol ia bem alto, altura em que sua esposa lhe dizia: - Ó Ginão, homem de Deus, vai buscar o naco do veado, que eu vou fazendo as brasas, enquanto houver lenha,...

Um pouco contrariado, lá ia o pai arrastando os pés, que mal podiam com ele. A mãe às vezes agradecia por o filho se parecer com o pai, apenas no rosto.
Gino começava a olhar o assado com um grande apetite. Comia até o pai lhe dizer: - Ó rapaz, amanhã também é dia!...

Gino não dava muita importância à conversa, pois o sustento, era com ele... Mal mastigava o último pedaço, Gino subia a montanha à procura de frutos silvestres e de raízes. De vez em quando, lá ia ele com a sua lança bem agarrada, para que não a pudesse perder. Ao fim de uma longa tarde, regressava com um gamo às costas. Era sempre uma festa!...

Em alturas de lua cheia, Gino ia também fazer as suas pinturas nas rochas da gruta. Toda a família olhava encantada para aquelas imagens de animais. Até pareciam verdadeiras!...
Gino era afinal um grande Herói dos tempos que já lá vão, há muitos milhões de anos.


Imagem da Gruta de Altamira, (10000 a 15000 a. C.) 
João Carvalho / Ricardo Couto - 5º B - EB 2, 3 da Lourosa -  Ano Letivo 2008/2009