domingo, 21 de janeiro de 2018

Trabalho - Os contributos civilizacionais dos Romanos e Muçulmanos

O trabalho que deves apresentar até ao fim de Fevereiro deve ter, como qualquer outro que realizes, uma determinada  estrutura, a saber:

I - Introdução (apresentação do tema)

II - Desenvolvimento do Tema
     Neste caso deves dividir esta área do trabalho em duas subdivisões:
     A - Os contributos dos Romanos para uma alteração dos modos de vida da Península Ibérica:
        aspetos a destacar:
        . A romanização (conjunto de processos que alteraram o modo de vida que se vivia na Península Ibérica):
      - as atividades económicas, as construções, os elementos das cidades, a língua, a moeda, a religião.
     B - Os contributos dos Muçulmanos para uma transformação dos modos de vida da Península Ibérica:
       aspetos a destacar:
       . As atividades económicas (agricultura; artesanato; técnicas de uso da água, culturas agrícolas introduzidas);
       . A Língua e a Religião;
       . Ciências (indicar quais e que contributos foram dados).
       . A arte islâmica; construções realizadas;

III - Conclusão  (apresentar um balanço do que foi feito e que avaliação pode ser retirada). 

Nota - O trabalho deve ter numa última folha a Bibliografia (que recursos de livros, enciclopédias ou fontes na net foram consultados) e deve ter uma capa, onde se indique o seu tema, a disciplina e o autor do trabalho.

Imagem - sala Árabe do Palácio da Bolsa, cidade do Porto.

Objetivos - Ficha nº3

1. Caracterizar o processo de Reconquista Cristã;
2. Identificar o espaço de início da Reconquista Cristã;
3. Identificar o povo que viva na Península Ibérica quando se dá a expansão muçulmana;
4. Descrever o tipo de convivência entre Cristãos e Muçulmanos no Período da Reconquista;
5. Relacionar o surgimento do condado Portucalense com o processo da Reconquista;
6. Identificar os reinos Cristãos formados a partir do século XI na Península Ibérica;
7. Identificar as condições da doação do condado Portucalense ao conde D. Henrique;
9. Identificar num mapa os limites do condado Portucalense ;
10. Descrever as prioridades de D. Afonso Henriques no governo do condado Portucalense;
11. Explicar a importância do Tratado de Zamora e da bula papal para o reconhecimento do reino de Portugal;
12. Identificar o século em que é feita a conquista definitiva do Algarve?
13. Comparar as fronteiras de Portugal no século XIII e as de hoje;
14. Distinguir fronteira natural e fronteira convencional;

Imagem - Pormenor da oita cruzada.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Romanos e Muçulmanos - dados para a formação de um País

Olhando para Portugal verificamos que as Beiras ou o Minho são muito diferentes do Algarve, ou do Alentejo. A geografia explica alguma dessa diferença, devido ao clima e as características que acompanham cada região. O Norte, como sabemos é montanhoso, tem mais precipitação, enquanto o Sul é mais plano e seco. O curioso é que podemos estabelecer algumas correspondências entre as diferenças geográficas e as históricas. 

Foi no sul que apareceram as primeiras cidades, devido ao contacto com os povos do Mediterrâneo. No norte nesta altura a caça e a criação de gado foram atividades determinantes. Os povos que vieram do norte e realizaram as primeiras invasões procuraram sobretudo a regiões mais a norte, enquanto os que se dedicavam ao comércio e procuravam minérios se instalaram mais a sul. 

Os Romanos começaram inicialmente por procurar querer o comércio dessas cidades do sul. Acabaram, como sabemos por conquistar toda a Península e fazer um processo de romanização dos modos de vida peninsulares. Esta romanização incidiu no norte, mais nas cidades que nos campos.

Os Muçulmanos que conquistaram quase toda a Península, mas tiveram uma ação muito reduzida acima do rio Douro. Mesmo entre o Douro e o Mondego a sua ação foi limitada. Este quadro permite explicar porque foi no norte que os cristãos menos romanizados e menos sujeitos à ação dos muçulmanos construíram uma resistência que seria muito evidente já no século XI. No século XIII os Muçulmanos desaparecem numa faixa da Península, a que corresponde ao reino de Portugal e dois séculos depois o mesmo acontecerá com o fim do reino de Granada e o nascimento de Espanha, como país.

O sul tinha sido sempre mais urbanizado, onde existiam as principais atividades económicas, concentradas em cidades. As fortificações militares e os centros administrativos estavam ligados às cidades. Ideia iniciada pelos romanos de de colocar nas cidades e nas regiões municipais os exércitos e com isso impor a sua autoridade, fazer a exploração mineira e conduzir os diferentes produtos ao longo das suas estradas. Essas estradas estavam ligadas a portos, onde esses produtos percorriam todo o Mediterrâneo.  Os Muçulmanos fizeram algo parecido na organização das cidades com os seus juízes e alcaides (chefes militares) e também eles conduziram as produções e os produtos para o Mediterrâneo e Atlântico sul. 

As regiões do norte, à exceção de Braga tinham uma limitada economia urbana e por isso predominavam as atividades agrícolas. Esta situação fez com que o sul funcionasse como um polo de atração, pois as cidades do sul tinham uma civilização mais requintada, formada por uma grande influência romana e muçulmana. Foi este desenvolvimento que levou a uma certa cobiça dos reinos cristãos formados no século XI. Procuravam o ouro, os tecidos, os cavalos e as armas produzidas.

Os povos que viviam a orte aesar da romanização e de alguma influência muçulmana, apenas assumiram algum do conforto tecnológico e material da civilização urbana, depois de terem, eles próprios conquistado o sul. Assim assimilaram pelos Romanos a língua latina e o direito romano e que vai influenciar profundamente o poder dos reis e a organização do país no período medieval e moderno. Assimilaram dos Muçulmanos muitas técnicas artesanais (o trabalho da cerâmica, dos couros, dos metais, dos tecidos) e um conjunto de conhecimentos ligados à Matemática, à Astronomia, à Geografia ou à Medicina. 

Foi a junção destas duas heranças que levou à formação daquilo que se tornaria Portugal. Foi dela que nasceu algo que evoluiria com os séculos e que daria contorno ao que somos como País.

Imagens - Ruínas de Conímbriga e  pormenor do Alhambra.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O condado portucalense (a sua independência)

Com a morte do conde D. Henrique em 1109, D. Teresa passou a governar o Condado Portucalense. D. Afonso VII, o novo rei de Leão, a partir de 1126 exigiu a D. Teresa que esta fosse fiel ao estabelecido na doação do condado ao seu marido, D. Henrique. O filho de D. Teresa não concordava com esta fidelidade e desde muito cedo manifestou ideia de que o condado fosse independente. Assim era preciso que ele governasse o condado. Para isso derrotou a mãe na batalha de São Mamede em 1128 e após várias batalhas contra o rei de Leão, este reconhece a independência no Tratado de Zamora, em 1143.

D. Afonso Henriques viu o condado tornar-se um reino independente, chamado Portugal e ele próprio como rei desse reino. A ideia de Afonso Henriques era alargar o território para sul. Procurou combater os muçulmanos e conquistar importantes cidades como Leiria, Santarém e  Lisboa (1147). 
Nesta última teve a ajuda importante dos cruzados (guerreiros cristãos que lutavam em nome da fé cristã) conseguindo alargar as fronteiras do condado para lá do rio Tejo. 

Em 1179 o Papa reconheceria o reino de Portugal, como um reino por direito na Península Ibérica. D. Afonso Henriques morreria em 1185 com o reino a ter a fronteira sul na parte norte do Alentejo.  D. Afonso II em 1223 alargaria um pouco mais a fronteira, D. Sancho II reconquistaria toda a zona do Alentejo e D. Afonso III terminaria a reconquista em 1249 com o domínio do Algarve. Em 1297 seria celebrado o Tratado de Alcanizes que estabeleceria as fronteiras entre o reino de Portugal e o reino de Leão e Castela.

Imagem: a mais antiga representação de D. Afonso Henriques. É datada do final do século XII ou início do século XIII e já se podem observar a espada, o manto real a coroa de rei.
Créditos da imagem:Museu Arqueológico do Carmo / José Pessoa /IMC)

A Reconquista Cristã

A conquista muçulmana não se fez sentir em toda a Península Ibérica. Os cristãos refugiando-se nas serranias do Norte e Noroeste da Península, iniciaram a reconquista do território, formando novos reinos que se foram alargando sucessivamente para sul. O primeiro desses reinos foi o das Astúrias, formado no século VIII, que depois seria chamado de Leão.

Neste processo de reconquista desempenhou grande papel a Igreja Católica que com a sua ideia de utilizar soldados que combatiam em nome da fé cristã (os cruzados) veio alimentar o desejo de muitos cavaleiros que viram aí forma de enriquecer, mas também de difundir a sua fé. 
Foi com D. Afonso VI, rei de Leão que um desses cavaleiros receberia um condado (O Portucalense) pela ajuda prestada no combate aos muçulmanos, justamente o conde D. Henrique, vindo da Borgonha.

O Condado Portucalense estendia-se entre um pouco a sul do Minho e ia até à zona do rio Mondego. D. Henrique deveria administrar o condado e prestar vassalagem ao rei de Leão. Este concedeu ao conde D. Henrique a possibilidade de casar com uma das suas filhas, D. Teresa. Após a morte do conde D. Henrique viveram-se períodos de grandes conflitos dentro do Reino de Leão e a luta entre D. Teresa e Afonso Henriques enquadram-se neste domínio pelo controle do poder dentro do Condado Portucalense e da sua integração no reino de Leão.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A herança muçulmana na P. Ibérica

"Os Árabes reforçaram o tom mediterrânico que os Romanos haviam começado a imprimir à agricultura. Introduziram ou difundiram plantas: a alfarrobeira, o limoeiro, a laranjeira azeda e talvez o arroz; plantaram grandes pomares, sendo afamados os do Algarve e dos arredores de Évora (...); e, sobretudo, desenvolveram a técnica do regadio (...) com as suas noras e canais de rega (...).
Esta influência sobrevive ainda ainda em muitas palavras de língua comum, relativas à vida do campo; (...) [tais palavras] mostram como foi intensa e profunda a ação de um povo que [vindo da orla do deserto] aprendeu  a vencer a escassez de chuvas com a escolha de plantas apropriadas e um engenhoso aproveitamento de águas." (1)
A influência árabe foi sobretudo importante na religião e na língua. Na Península Ibérica houve um convívio harmonioso entre os que aderiram ao Islamismo e os que se mantiveram cristãos, os chamados moçárabes. No Al-Andaluz o árabe era a língua oficial e foi uma forma de dar unidade à sua presença cultural. 

Com os Árabes a Península Ibérica assistiu à introdução de diferentes atividades ligadas à agricultura, ao artesanato e à pesca. Com elas deu-se um excelente aproveitamento da água, com a construção de canais, diques, moinhos de água, azenhas e noras. No artesanato desenvolveram a tapeçaria (algodão e lã), os metais, a pedra e o couro. Desenvolveu-se o comércio e os mercados difundiram-se por diferentes cidades.

O Al-Andaluz desenvolveu sobretudo no Sul uma cultura urbana, com a existência de diferentes cidades. A cidade era protegida por muralhas e tinha um centro, que se chamava a Medina, onde se concentravam os edifícios religiosos, as mesquitas, mas também o mercado e os espaços públicos. O restante espaço da cidade era ocupado com casas para habitação, onde os artesãos dispunham os seus produtos e se dedicavam ao comércio. Junto à medina encontramos o espaço que mantinha uma defesa militar da cidade.

As grandes cidades árabes tinham belos palácios com interiores onde podemos encontrar o azulejo e jardins bem decorados. Era nas mesquitas que as crianças aprendiam a ler e a escrever, utilizando o Alcorão nas suas atividades de aprendizagem. As ciências estavam muito desenvolvidas na civilização Árabe e a sua influência na Matemática (introdução do zero), na Medicina, na Astronomia, na Cartografia, na Geografia,  foi muito importante. A civilização árabe procurou incentivar um ambiente cultural de estudo e de difusão do pensamento literário e religioso. Córdova, era a capital deste espaço na Península que os árabes chamaram Al-Andaluz.


(1) - Orlando Ribeiro, Portugal, O Mediterrâneo e o Atlântico

A civilização muçulmana na P. Ibérica

"Contam alguns historiadores que o primeiro que reuniu os fugitivos cristãos da Hispânia, depois dos árabes se terem apoderado dela, foi um infiel chamado Pelágio, natural das Astúrias (...), de onde então começaram os cristãos a defender contra os Muçulmanos as terras que ainda continuavam em seu poder (...)." (1)

A Arábia no século VII era uma região com um grande atividade comercial. Das principais cidades do Sudoeste da Arábia, uma das mais importantes foi Meca. Foi aqui que nasceu uma nova religião, fundada por Maomé, O Islamismo. Maomé proclamou um novo Deus, Alá e difundiu os valores da nova religião, num livro sagrado chamado o Alcorão.

Após a unificação das diferentes tribos na Arábia, o desejo de melhorar as condições de vida no deserto, e a vontade de espalhar a nova religião fez iniciar uma expansão islâmica que chegou a três continentes, Ásia, África e Europa. Os Muçulmanos chegaram à Península Ibérica no século VIII. A norte, as Astúrias resistiram e foram o ponto de resistência dos visigodos para a futura reconquista cristã. Os Muçulmanos deram à Península Ibérica o nome, sobretudo às zonas que mais influenciaram, o sul de Al-Andaluz.

Os muçulmanos manifestaram dificuldades em manter um domínio da Península a partir sobretudo do século XII. Permaneceram na Península Ibérica na parte mais ocidental até ao século XIII, e na parte central e este da Península Ibérica até ao século XV. Destas duas zonas nasceriam dois países, Portugal e Espanha. Tiveram tal como a civilização romana uma profunda influência no modo de vida dos povos peninsulares.


(1) - Relato de Nafh al-Tib, citado por Borges Coelho, Portugal na Espanha Árabe.