sábado, 20 de janeiro de 2018

Romanos e Muçulmanos - dados para a formação de um País

Olhando para Portugal verificamos que as Beiras ou o Minho são muito diferentes do Algarve, ou do Alentejo. A geografia explica alguma dessa diferença, devido ao clima e as características que acompanham cada região. O Norte, como sabemos é montanhoso, tem mais precipitação, enquanto o Sul é mais plano e seco. O curioso é que podemos estabelecer algumas correspondências entre as diferenças geográficas e as históricas. 

Foi no sul que apareceram as primeiras cidades, devido ao contacto com os povos do Mediterrâneo. No norte nesta altura a caça e a criação de gado foram atividades determinantes. Os povos que vieram do norte e realizaram as primeiras invasões procuraram sobretudo a regiões mais a norte, enquanto os que se dedicavam ao comércio e procuravam minérios se instalaram mais a sul. 

Os Romanos começaram inicialmente por procurar querer o comércio dessas cidades do sul. Acabaram, como sabemos por conquistar toda a Península e fazer um processo de romanização dos modos de vida peninsulares. Esta romanização incidiu no norte, mais nas cidades que nos campos.

Os Muçulmanos que conquistaram quase toda a Península, mas tiveram uma ação muito reduzida acima do rio Douro. Mesmo entre o Douro e o Mondego a sua ação foi limitada. Este quadro permite explicar porque foi no norte que os cristãos menos romanizados e menos sujeitos à ação dos muçulmanos construíram uma resistência que seria muito evidente já no século XI. No século XIII os Muçulmanos desaparecem numa faixa da Península, a que corresponde ao reino de Portugal e dois séculos depois o mesmo acontecerá com o fim do reino de Granada e o nascimento de Espanha, como país.

O sul tinha sido sempre mais urbanizado, onde existiam as principais atividades económicas, concentradas em cidades. As fortificações militares e os centros administrativos estavam ligados às cidades. Ideia iniciada pelos romanos de de colocar nas cidades e nas regiões municipais os exércitos e com isso impor a sua autoridade, fazer a exploração mineira e conduzir os diferentes produtos ao longo das suas estradas. Essas estradas estavam ligadas a portos, onde esses produtos percorriam todo o Mediterrâneo.  Os Muçulmanos fizeram algo parecido na organização das cidades com os seus juízes e alcaides (chefes militares) e também eles conduziram as produções e os produtos para o Mediterrâneo e Atlântico sul. 

As regiões do norte, à exceção de Braga tinham uma limitada economia urbana e por isso predominavam as atividades agrícolas. Esta situação fez com que o sul funcionasse como um polo de atração, pois as cidades do sul tinham uma civilização mais requintada, formada por uma grande influência romana e muçulmana. Foi este desenvolvimento que levou a uma certa cobiça dos reinos cristãos formados no século XI. Procuravam o ouro, os tecidos, os cavalos e as armas produzidas.

Os povos que viviam a orte aesar da romanização e de alguma influência muçulmana, apenas assumiram algum do conforto tecnológico e material da civilização urbana, depois de terem, eles próprios conquistado o sul. Assim assimilaram pelos Romanos a língua latina e o direito romano e que vai influenciar profundamente o poder dos reis e a organização do país no período medieval e moderno. Assimilaram dos Muçulmanos muitas técnicas artesanais (o trabalho da cerâmica, dos couros, dos metais, dos tecidos) e um conjunto de conhecimentos ligados à Matemática, à Astronomia, à Geografia ou à Medicina. 

Foi a junção destas duas heranças que levou à formação daquilo que se tornaria Portugal. Foi dela que nasceu algo que evoluiria com os séculos e que daria contorno ao que somos como País.

Imagens - Ruínas de Conímbriga e  pormenor do Alhambra.

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