quinta-feira, 29 de outubro de 2026

A ação de Pombal


1. O Marquês de Pombal e o seu tempo
A História como processo de organização das sociedades depende sobretudo do conjunto das pessoas que a constituem. No entanto, há figuras que pela sua ação e características pessoais fazem evoluir a sociedade, pelas marcas que lhe colocam. José Sebastião de Carvalho e Melo, conhecido como o marquês de Pombal, é uma dessas figuras.
D. José I sucedeu ao rei D. João V e nomeou um funcionário de grande confiança, justamente, José Sebastião de Carvalho e Melo. Ele foi primeiro-ministro do Reino, o que fez o rei dar-lhe alguns títulos como, conde de Oeiras ou marquês de Pombal. Na 2ª metade do século XVIII, o absolutismo tinha já entrado em decadência na Europa. 
Tinham surgido novas ideias sobre como o rei devia governar e uma delas era designada de "despostismo esclarecido". O marquês de Pombal admirava em particular esta teoria. Defendia assim, que o governo do Reino, se conduzido por um pensamento esclarecido por parte do rei e dos seus ministros, ainda que seja absoluto, podia atingir melhores resultados para o País. Em Portugal o rei tinha pouca autoridade e quem a exercia realmente era o marquês de Pombal.
No reinado de D. José I vários acontecimentos marcaram este período e a ação de Pombal. O terramoto de 1755 foi só um deles. O “atentado” ao rei, o julgamento e execução pública dos Távoras ou a expulsão dos Jesuítas foram outros.

2. O terramoto de 1755
No dia um de novembro de 1755, a cidade de Lisboa foi vítima de um forte terramoto, onde morreram centenas pessoas e muitos edifícios ficaram destruídos. As cartas das descrições da época revelam uma forte destruição da cidade e um clima de grande aflição entre as pessoas. O marquês após o terramoto mandou restabelecer a ordem nas ruas da cidade, de modo a impedir os roubos e de forma a cuidar dos feridos. O marquês pensou na reconstrução da cidade, tendo entregue o plano a duas figuras importantes, Manuel da Maia e Eugénio dos Santos. A reconstrução da cidade de Lisboa, conhecida como a Lisboa Pombalina fez a reconstrução da cidade ao nível das ruas e praças, mas também procurou criar uma rede de esgotos e um novo sistema de iluminação. O nivelamento em altura dos edifícios, os passeios nas ruas, a utilização de materiais mais resistentes a terramotos ou o sistema de gaiola nos edifícios forma algumas das inovações do projeto da Lisboa Pombalina. Toda a ideia de reconstrução obedeceu a um plano rigoroso para criar uma nova cidade, à imagem do poder real.

3. As reformas de Pombal
A ação do marquês de Pombal conduziu-se por grandes transformações no País. Reorganizou a a administração do País e tentou dinamizar as atividades económicas. Procurou que a agricultura em algumas das suas produções se desenvolvesse. Incentivou o desenvolvimento das manufaturas. A monarquia financiou e protegeu “indústrias” importantes, como a da seda (Real Fábrica das Sedas), ou a das cordas (Cordoaria Nacional). 

Estas manufaturas eram desenvolvidas com base num monopólio real que lhes concedia empréstimos e as isentava de alguns impostos. Ao mesmo tempo foram criadas diferentes manufaturas em diversas cidades do litoral. O marquês criou ainda grandes companhias comerciasi que tinham o monopólio do comércio de determinados produtos em diferentes zonas do Império Português, no Algarve, no Douro, no Brasil. O marquês procurava favorecer a burguesia como elemento social que organizava estas atividades e reduzir os privilégios do alto clero e da alta nobreza.
Neste sentido fez igualmente reformas no ensino tendo criado escolas públicas, alterou o ensino universitário, abriu escolas técnicas e fundou uma escola para a nobreza, o colégio dos Nobres para assegurar uma modernização do governo do Reino.

4. A vida cultural no tempo de Pombal
O governo de Pombal e o reinado de D. José I foram influenciados pelas ideias de mudança cultural que existiam na Europa neste período. Existiam um conjunto de estudantes que estudavam no estrangeiro, em outros Países e quando vinham ao Reino transportavam as novas ideias. Eram chamados de estrangeirados e deles podemos destacar Ribeiro Sanches ou Luís António Verney. Com estas ideias vindas da Europa, também em Portugal se criaram círculos de pessoas que estudavam determinados assuntos. Eram as Academias onde a discussão de ideias científicas se desenvolveram. 

Ao seu lado os cafés foram igualmente locais de discussão de ideias e de troca de impressões sobre assuntos ligados à Ciência, à Literatura, ou à Arte. Nesses encontros liam livros, trocavam opiniões e faziam debates informais sobre diversos assuntos. Também o teatro e em particular a ópera se desenvolveu neste período por influência real. 

Na arquitetura ainda se construía de acordo com o estilo barroco, embora na 2ª metade do século XVIII se tenham introduzido novas formas de construir edifícios. Na pintura. Vieira Lusitano e na escultura Machado de Castro forma nomes que deixaram uma obra importante. A estátua do rei D. José na Praça do Comércio, centro da Lisboa Pombalina é um dos sinais mais evidentes da ligação da cultura ao poder real e à importância da Coroa neste período.
Apesar de todas estas transformações o País não recuperou o seu atraso económico, o que só se verificaria  com a Guerra Peninsular e com a chegada das ideias da Revolução Francesa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

As comunidades agropastoris

Há cerca de 10.000 anos o clima da Terra aqueceu e isso permitiu alterar a fauna e a flora. Em especial no hemisfério norte o clima aproximou-se mais daquilo que hoje conhecemos. Os animais do tempo dos recolectores, de maior porte desapareceram. O homem vai-se tornar agricultor e pastor. Vai tornar-se um produtor de alimentos. Isto vai permitir-lhe deixar de ser nómada para passar a ser sedentário.

Estas comunidades agropastoris encontram-se junto ao litoral, acompanhando também alguns rios, como o Douro, o Tejo e o Sado. As suas principais atividades eram a agricultura e a pastorícia. Por vezes ainda se dedicavam à caça e à pesca quando tal era preciso. 

Com as comunidades agropastoris verifica-se que os homens e as mulheres faziam diferentes tarefas conforme o que necessitavam de realizar. Surgem assim os artesãos que fabricavam diversos instrumentos e utensílios. Acompanhando a agricultura e a pastorícia, surge a olaria, a cestaria, a tecelagem, a metalurgia. A produção de objetos em cerâmica, a utilização de mós ou o fabrico de instrumentos em ferro ou bronze eram importantes para o seu modo de vida

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

As comunidades recoletoras

Há muitos milhares de anos que o Homem habita a Península Ibérica. Estes primeiros habitantes da Península Ibérica tinham de ultrapassar muitas dificuldades e perigos para poderem sobreviver. Dependiam completamente da Natureza, pois tinham poucas técnicas para lidar o meio onde viviam e não sabiam produzir alimentos. Eram assim nómadas, procurando alimento onde o encontravam e por isso praticavam a caça, a pesca e a recoleção, apanhando frutos, raízes e folhas.

O clima era muito frio, o que era mais uma dificuldade a que se juntava animais de grande porte que tinham de caçar. Estes animais davam-lhes a carne, as peles para o vestuário e materiais para eles produzirem alguns dos seus instrumentos. 

Habitavam refúgios, como abrigos, grutas ou cavernas naturais. Abandonavam estes refúgios quando a alimentação escasseava nesse local. Juntavam-se em grupos de modo a poder superar as suas dificuldades e melhor arranjarem alimento. Com a descoberta do fogo foi possível melhorar a alimentação, aperfeiçoar instrumentos, afugentar os animais perigosos e iluminar os espaços que habitavam.

Os seus instrumentos eram feitos de pedra, osso e madeira. Entre os principais podemos destacar o arpão, o biface, o raspador, o perfurador, entre outros.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

A vegetação na Península Ibérica

Hoje quase não encontramos vegetação natural na Península Ibérica, pois pelas necessidades humanas e pelos fogos florestais ela quase desapareceu. A vegetação que encontramos é aquela que em grande parte foi introduzida pelo homem. A vegetação de uma região está dependente de diferentes fatores, como, o relevo, o clima e as características do solo.


 Na Península Ibérica encontramos três zonas de vegetação que estão muito próximas das divisões climáticas que já vimos antes. Temos assim uma zona atlântica, uma zona continental e uma zona mediterrânica.Na zona atlântica predominam as árvores de folha caduca. As árvores da floresta caduca são aquelas que perdem as folhas no Outono voltando a nascer na Primavera. Duas das mais representativas desta floresta são o castanheiro e o carvalho.

Na zona mediterrânica encontramos árvores de folha persistente, o que significa que não perdem a folha ao longo do ano. O sobreiro, a azinheira e o pinheiro-manso são as mais características desta região. Na zona continental encontramos uma vegetação rasteira e uma mistura de árvores de folha caduca e de folha persistente.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

As bacias hidrográficas

Os principais rios da Península Ibérica são rios internacionais, no sentido de que nascem num espaço político (Espanha) e vêm desaguar a Portugal. Este facto acontece porque o relevo está orientado de este para oeste. Entre estes rios estão o Douro, o Tejo e o Guadiana.

O rio Douro corre em montanhas e em vales apertados. Atravessa zonas com mais humidade e não tem um caudal tão irregular como o Guadiana ou o Tejo. Estes dois rios correm em planícies, onde o relevo tem menos altitude e onde o clima é mais quente e existe menos humidade. O rio Tejop e Guadiana são assim rios de caudal irregular, podendo no Verão ter um curso de água reduzido, em determinadas zonas.               
                                                           
Os rios têm uma nascente, geralmente situam-se nas zonas montanhosas devido à formação geológica que faz nascer as suas fontes e no seu percurso encontram outros rios mais pequenos que sã, os seus afluentes. 
 
O rio Douro por exemplo tem inúmeros afluentes, o Côa, o Tua, o Sabor. Ao conjunto formado pelo rio principal e seus afluentes damos o nome de rede hidrográfica.Esta rede ocupa um determinado espaço que se alarga do rio até às zonas que lhe estão próximas. A esse espaço ou área onde está inserida a rede hidrográfica damos o nome de bacia hidrográfica.

O império português do século XVIII - A exploração do Brasil